Após o fim de O Conto da Aia, muitos fãs ficaram com a sensação de que algumas histórias ainda precisavam de uma conclusão. Por isso, Os Testamentos chega ao Disney+ com a missão de dar continuidade a um dos universos distópicos mais marcantes da televisão. Baseada no livro de Margaret Atwood lançado em 2019, a série se passa anos após os acontecimentos da produção original e acompanha uma nova geração de jovens mulheres que cresceu sob as rígidas regras de Gilead.
Embora adote uma abordagem um pouco mais voltada para personagens adolescentes, a produção preserva os temas que transformaram sua antecessora em um fenômeno. Além disso, a série amplia a construção de mundo de maneira consistente e oferece novas perspectivas sobre uma sociedade marcada pelo controle e pela opressão.
Uma nova perspectiva sobre Gilead

Desta vez, Agnes MacKenzie, também conhecida pelos fãs como Hannah, assume o centro da narrativa. Filha de June e criada dentro de Gilead, a personagem oferece um olhar diferente sobre o regime. Enquanto June sempre lutou para escapar daquele sistema, Agnes cresceu acreditando que aquelas regras representavam a normalidade.
Chase Infiniti entrega uma atuação convincente e consegue transmitir a transformação gradual da personagem. Aos poucos, Agnes começa a questionar as estruturas que sempre aceitou, o que torna sua jornada uma das mais interessantes da temporada.
Ao seu lado está Daisy, interpretada por Lucy Halliday. A jovem chega carregando segredos importantes e rapidamente se torna peça fundamental para os acontecimentos da trama. Além disso, sua conexão com o movimento de resistência Mayday adiciona uma camada extra de suspense à história. A participação especial de Elisabeth Moss ajuda a conectar a nova produção aos eventos de O Conto da Aia e certamente agradará os fãs da série original.
O retorno de Tia Lydia continua sendo um dos grandes atrativos

Se existe uma personagem capaz de unir as duas produções, essa personagem é Tia Lydia. Mais uma vez, Ann Dowd domina a tela com uma atuação repleta de nuances e contradições.
Ao mesmo tempo, a série aproveita a oportunidade para aprofundar aspectos importantes de seu passado. Os episódios que exploram sua trajetória estão entre os momentos mais fortes da temporada. Dessa forma, a produção amplia a complexidade de uma personagem que continua sendo uma das figuras mais fascinantes de todo esse universo.
O universo de Gilead ganha novas camadas
Um dos maiores acertos de Os Testamentos está na expansão da mitologia de Gilead. Enquanto O Conto da Aia apresentava o funcionamento básico do regime, a nova série mergulha em detalhes que ajudam a compreender melhor sua estrutura social.
Entre os elementos mais interessantes está o sistema de cores utilizado para identificar cada fase da vida das meninas. As mais novas vestem rosa. Posteriormente, tornam-se “ameixas” durante a adolescência. Quando entram na puberdade, passam a usar verde e ingressam oficialmente no mercado matrimonial de Gilead.

Além disso, a série explora a rotina da escola comandada por Tia Lydia, onde as jovens aprendem a se tornar esposas obedientes. Nesse ambiente, a produção revela de forma ainda mais clara como o regime molda cada aspecto da vida das futuras mulheres da sociedade.
Algumas das cenas mais desconfortáveis da temporada surgem justamente desse contexto. Afinal, homens mais velhos observam e escolhem futuras esposas adolescentes dentro de um processo tratado como algo completamente normal por Gilead. Por causa disso, a série reforça constantemente o caráter perturbador do regime sem precisar recorrer apenas à violência explícita.
Atuações ajudam a sustentar a nova fase da franquia
Grande parte da força da temporada vem do elenco jovem. Chase Infiniti sustenta o peso emocional da narrativa e demonstra segurança mesmo diante da responsabilidade de interpretar uma personagem tão importante para os fãs. Enquanto isso, Lucy Halliday traz carisma e mistério para Daisy. Sua personagem funciona como um contraponto importante à visão de Agnes e contribui para alguns dos momentos mais tensos da história.
Por outro lado, Ann Dowd continua roubando a cena sempre que aparece. Sua interpretação de Tia Lydia segue sendo um dos pilares da franquia e ajuda a elevar os melhores episódios da temporada.
Vale a pena assistir?
Os Testamentos talvez não alcance o mesmo impacto cultural da primeira temporada de O Conto da Aia. Ainda assim, a série encontra sua própria identidade ao acompanhar personagens que nasceram dentro de Gilead e nunca conheceram outra realidade.
Além disso, a produção consegue equilibrar expansão de universo, desenvolvimento de personagens e novas intrigas políticas sem depender apenas da nostalgia. O resultado é uma continuação que respeita o material original e, ao mesmo tempo, encontra caminhos próprios para seguir em frente.
Por fim, Os Testamentos prova que ainda existem histórias relevantes para contar dentro desse universo criado por Margaret Atwood. Com boas atuações, excelente direção de arte e uma trama envolvente, a série surge como uma continuação digna e um novo capítulo promissor para a franquia.
“Os Testamentos: Das Filhas de Gilead”
Criação: Bruce Miller
Elenco: Chase Infiniti, Lucy Halliday, Ann Dowd, Mabel Li
Disponível em: Disney+
Pontos positivos
- Expande o universo de Gilead
- Boas atuações do elenco principal
- Retorno marcante de Tia Lydia
- Excelente direção de arte e figurinos
- Novas perspectivas sobre o regime
Pontos negativos
- Ritmo lento em alguns episódios
- Menos impactante que O Conto da Aia
- Exige conhecimento prévio da série original
- Algumas tramas demoram para engrenar
